Foi num início não muito distante que me encontrei...
No começo daquele pequeno instante,
foi na calma dos teus olhos que comecei.
E dos teus olhos também.
E dos teus.
Quando os vossos olhos encontraram os meus,
a minha vida começou, teve sentido.
E era apenas assim que ela o tinha.
Porque sempre que chamava o vosso nome,
era a minha alma que vinha,
mostrar-se viva, lembrar-me da minha existência.
Agora digo o teu nome... e o teu... e o teu, também.
Mas já não encontro sempre os meus olhos nos teus...
nem nos teus...
nem nos teus...
Permaneço calada, muda, enquanto o meu olhar cai no chão
e espero que o tempo me embale, até o meu corpo cair na dormência.
Numa súplica, percorro de rastos todos os céus
e deixo em cada um, o brilho que os vossos olhares me deram um dia.
Peço-Lhe que o guarde para sempre nas vossas almas
Porque eu não sei dizer-vos adeus.
Tacteio, de olhos vendados, em vão
no meio de um silêncio gritante
no início do fim de cada instante
num desespero que me arranca o chão
Onde estou, meu Deus?
Que tirania me condenou a este lugar vazio?
Que monstruosidade me faz morrer de frio
e me tirou os laços que eram meus?
Que eram tão meus...
Já a minha alma tanto se aquieta
numa paz que me trespassa, feita seta
a razão, que me foge num passo veloz
e que me mata de uma morte tão atroz
Não quero mais estar neste lugar
não há aqui nada do que procuro
já me perdi de me encontrar
aqui só há dor, aqui só há escuro