Cá dentro, moras tu, tão inteiro
e sendo o último, foste e és o primeiro
a ocupar todo o espaço que era meu.
E todos os astros que moram no infinito
não passam de meros rastos no céu
se comparados contigo, a galáxia que agora habito.
Vives na minha pele e eu na tua
rasgas os muros que me prendem a alma
que se entrega a ti, sedenta e nua
e que só em ti mata a fome e me acalma.
O teu peito, os teus lábios doces
a segurança das tuas mãos e do teu abraço
o teu sorriso, o silêncio no mundo quando me olhas.
Dentro mim, tu já ocupas todo o teu espaço.
Amanhece
e ainda não sei se consigo
inventar palavras e pontuar o desejo
Porque o meu peito de ti é mendigo
e os meus olhos só teus, quando te vejo
Acorda a tarde
e a estrela que és desperta
quando os meus braços te prendem
inteiro num beijo
E toda a minha alma
se contorce e me abraça e me aperta
num remoinho com destino ao coração,
num único e intenso arquejo
Dorme a tarde,
eis que anoitece
E dentro de mim, tu és a porta aberta,
nos meus sentidos a exaltação ansiada
porque é só da tua mão, na minha entrelaçada
que a minha mão não se esquece
És a minha manhã,
a minha tarde e a minha noite
E eu sou a tua madrugada