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Mudança

por S, em 02.02.16

Escrevo para ninguém, quando a direcção do vento muda.

Há quem corte cabelos, há quem compre sapatos,

há quem coma a solidão e há quem faça tiro aos pratos.

Em mim, tudo se nega. Fico calada, surda, cega.

Fecha-se a boca ao alimento, ferve-me o sangue de alma exangue,

tudo me morre, cessa o movimento

e o inverso engole-me, degolando-me as entranhas...

 

Quando muda o vento.

 

Sou a enjeitada, pobrezinha enferma, num leito de ruínas

pés descalços pela berma

 

à espera...

 

E o dia não acaba dentro da noite cerrada, o tempo fica parado

no meio do escuro da estrada; Um olhar que não me alcança,

uma mão que não me toca...

O frio do céu rouba-me a esperança e nem uma migalha em troca!

 

Escrevo para ninguém, quando a direcção do vento muda

Para ninguém que ninguém ajuda...

Quando rasos de água os meus olhos imploram;

Quando as minhas preces de joelhos choram...

Nada!, Ninguém... nem a sombra de um abraço vem.

No mundo sou a que a vida esqueceu.

 

E as palavras brotam tão puras, assim

Urgentes - tão vivas - de dentro de mim

A dizer em cada letra que Ninguém sou eu!

 

 

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publicado às 16:25

A Morte

por S, em 02.02.16

A morte és tu fora de mim

Uma espiral de demência, de tortura

A morte chega quando tu vais

Fechas a porta e entra a loucura

A eternidade que demora a tua partida

Comprime todo o ar no espaço de um átomo

E desespero enquanto tento respirar

Mas nem um átomo serve, de respiração sustida.

Não te dei a minha vida, não dei!

Com que direito a tens tu na tua mão?

Diz-me, para que a queres, se até eu a enjeitei?

Não é tua, não é minha, deixa-a cair no chão!

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publicado às 16:16

Crime e Castigo

por S, em 02.02.16

Nas asas do amor há borboletas que voam

Que choram baixinho, que pedem, que rezam

Que gritam caladas, que doem, perdoam

Que suportam as mágoas que ferem, que pesam

 

São gotas libertas que fogem dos olhos

de quem viu que o amor também morre afinal

outrora dispersas, reúnem em molhos

para escoar do peito o assassínio brutal

 

Nas asas do amor há magia e pó de estrelas

Mas no toque violento, que o deixa disperso

Borboletas morrem, Acendam-se velas!

Perdoe-se o crime, o maior do Universo

 

Que pena cruel, mais cruel do que a chama

cairá sobre aquele que cometeu o pecado:

Jamais nesta vida sentirá quem não ama

dentro do peito, a bater, o seu vôo delicado

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publicado às 16:10

Natureza

por S, em 02.02.16

Escuta o murmúrio do vento

Inspira-lhe tudo o que doa

Depois estende as tuas asas e voa

Que nem tudo nele é lamento

 

Observa na água o portento

Da delicadeza que por ela escoa

Da suavidade com que perdoa

À dureza da rocha o seu amor violento

 

Sente a fúria do fogo na chama

Lento a queimar como a alma que ama

Liberta a essência daquilo que és

 

Digere o aroma da terra molhada

Que vibra e se agita, que aceita a trovoada

E tu és a Natureza prostrada a teus pés

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publicado às 15:58

Cascais

por S, em 02.02.16

Ilha encantada da minha infância onírica

fustigada pelo mar numa imensidão serena

em cada pedra da calçada a inscrição de uma pena

feita de pérolas tiradas a uma ostra lírica

 

No estreito das ruas um poema de mímica

dançava ao sabor de uma brisa amena

E eu descalça a flutuar, uma galáxia pequena

no caos da vida rumo à morte fatídica

 

Na pele do sal o odor das algas ao sol

Em dias quentes um beijo de peixe no anzol

Resquício de saudade que da minha alma brota

 

Livre, selvagem, uma doce memória de criança,

das dunas condensadas dentro da minha esperança

de um mundo inteiro contido no grito de uma gaivota

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publicado às 15:36


Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.

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